Bem vindos ao web site da APMFC. A Associação Paulista de Medicina de Família foi criada
graças aos esforços dos médicos de família e comunidade do estado de São Paulo.
A APMFC visa unir os profissionais de Atenção Básica do nosso estado em
um espaço de ampla discussão dos diversos aspectos de nossa
profissão, desde o contato com o paciente, passando
pelas condutas e rotinas até a organização dos
serviços de saúde no SUS.
| Presidente: | Augustus Tadeu Relo de Mattos |
| Vice Presidente: | Monique Marie Marthe Bourget |
| Diretor Administrativo: | Daniel Moreira Pinto |
| Diretor Financeiro: | Maria Célia Mendes |
| Diretor Científico: | Roberson Jun Kitamura |
| Diretor Cultural e de Divulgação: | Sara Turcotte |
| Diretor de Formação, Capacitação e Titulação: | Patricia Sampaio Chueiri |
| Diretor de Exercício Profissional: | Jaime Pinheiro Guimarães Júnior |
| Diretor de Integração: | Fábio do Carmo Duarte |
| Diretor de Informática e Telemedicina: | Pedro Luiz Scalco França Pinto |
| Diretor Residente: | Patrícia Pedrosa de Oliveira |
| Suplente 1: | Zeliete Zambom |
| Suplente 2: | Paulo Celso Nogueira Fontão |
| Suplente 3: | Sérgio Leuzzi |
Dra. Ir. Monique Bourget
Coordenadora do PSF Santa Marcelina, SP
Diretora da Formação e Capacitação da SBMFC
Para contar a história da medicina de família e comunidade aqui em São Paulo é preciso lembrar alguns nomes importantes que marcaram essa história. Antes mesmo de começar o consultório do médico de família tirado do modelo cubano, as irmãs Marcelinas e em particular Ir. Josefina, médica, construiram um pequeno consultório com ajuda da própria população e do futuro médico que ia começar atuar lá mesmo, no Jardim Copa, em Itaquera, perto do Hospital Santa Marcelina. Foi uma primeira iniciativa para tentar mobilizar alguns profissionais e conseguir mostrar para os residentes o lado da atenção primária. O primeiro médico que atuou na unidade foi o Dr. Gilberto Natalini.
Seguiu uma segunda experiência implantada no governo Quercia e instaurada em parceria com o Hospital Santa Marcelina que foram os consultórios médicos conforme o modelo cubano. Atuaram vários médicos: Drs Marcia, Oscar, Isa, Georgina, Alodia, Dragan, Gerson, Rosa chegando ao número de 17 distribuídos na zona leste desde 1987. Apesar de alguns terem sido muito queridos pela população a maioria não conseguiram o efeito esperado. O governo do Estado não dispunha de instrumentos adequados para acompanhar de perto o andamento do projeto. Chegou o final do ano 1995 e a Secretaria Estadual de Saúde quis extinguir o projeto. Ao mesmo tempo, o Dr. Francé, diretor do Núcleo 3 estava enfrentando a carência de profissionais médicos em várias unidades da periferia e Ir. Josefina, que, tomando conhecimento da proposta do Ministério Federal do Projeto da Saúde da Família que começou a ser implantado no Nordeste, sonhou com a possibilidade de começar um projeto piloto na área carente da cidade Tiradentes onde a Igreja desenvolvia atividades pastorais.
Prontamente, foi montada uma comissão liderada pela Dra. Eliane Dourado que reuniu representantes dos médicos de família (Dra Rosa e Dr. Gerson), Dr. Francé, diretor do Núcleo 3- zona leste- e as irmãs Marcelinas, Ir. Josefina e Ir. Monique que, ha pouco chegada do Canadá, trazia a experiência do Médico de Família daquele país. Nasceu uma proposta de uma tripartite (Ministério da Saúde, Secretaria Estadual da Saúde e o Hospital Santa Marcelina) para implantação do projeto da Saúde da Família em 9 unidades básicas:
No último dia do ano, 31 de dezembro de 1995, irmã Maria Thereza Lorenzzoni foi assinar no aeroporto de Congonhas, junto ao Ministro da Saúde, o Dr. Adib Jatene, o termo aditivo da primeira parceria para implantação do Projeto Saúde da Família do Município de São Paulo. A liberação das verbas só aconteceu em março de 1996. Foi proposto o início em 9 unidades com 11 equipes que eram compostas por 1 médico, 1 auxiliar de enfermagem e 4 agentes comunitários. As enfermeiras eram ao mesmo tempo gerente, enfermeira de todas as equipes e capacitadores de agentes comunitários. O agente comunitário trabalhava na limpeza e na recepção. Era somente um projeto piloto: muitas ideas prós e contras.
Em 1998 novas unidades foram implantadas com a parceria da Fundação Zerbini na zona Sudeste e na zona Norte. A proposta foi vencendo e dando certo. Assim no ano 2000, duas novas parcerias foram celebradas com a Congregação Santa Catarina e a UNISA na zona Sul com formação de equipes completas: 1 médico, 1 enfermeira, 2 auxiliares de enfermagem, 5 a 6 agentes comunitários por equipe e 1 gerente por unidade e toda uma equipe de apoio administrativo.
O projeto foi se tornando programa e foi se afirmando. Em 2001, no momento da municipalização, já havia mais de 240 equipes de saúde da família. O dr. Eduardo Jorge, então secretario municipal da saúde, propôs cobrir em 60% o município com o PSF. Começou, não teve 100% de êxito mas funcionam hoje no município de São Paulo cerca de 800 equipes de saúde da família em parceria com 12 instituições.
Os frutos dessa implantação são vários e o mais tangível e interessante para a nossa sociedade foi abrir o mercado para o profissional médico. A primeira residência em Medicina Geral e Comunitária, hoje Medicina de Família e Comunidade, iniciada em 1993 no Hospital Santa Marcelina foi a primeira beneficiada. Ela pude ter a partir de 1996 um campo de estágio próprio para a especialidade. O interesse de cativar o profissional desde a graduação se tornou necessário e o internato começou a ter estágio obrigatório nas unidades de PSF. Recebemos vários alunos de outras faculdades como a USP por exemplo. Començaram os fórums de discussões sobre PSF nos vários municípios do interior como também sobre residência médica na área- Medicina de Família e Comunidade- e sobre o envolvimento na graduação. O seminário mais decisivo acredito ter sido o de Campinas em 2001 onde foi sancionada a importância da nossa especialidade diferenciado-a uma vez por todas da medicina preventiva e social. O movimento da abertura de novas vagas de residências em várias instittuições foi desencadeado contando hoje no município com vagas na UNISA, UNIFESP, USP(recente deste ano), e de vários municípios vizinhos: Jundiai, Campinas.
Mas ainda é muito pouco e a luta para afirmar a nossa especialidade e qualificarmos o profissional da ponta é grande. A rotatividade elevada do profissional médico, a falta de identificação com o trabalho e com a comunidade, a falta de `role models`na formação como também o pouco contato no momento da graduação com o trabalho na atenção primária são dificuldades a serem superadas. A congregação dos esforços através da formação de primeiro a Sociedade Paulista de Medicina de Família agora Associação Paulista é fundamental e com certeza, juntos venceremos e conseguiremos tornar a medicina de Família e Comunidade uma especialidade concorrida tanto quanto as outras porque seremos felizes de trabalhar junto a população alimentando a vida e a vida de qualidade.